Quem são os xamãs? A palavra xamã tem origem no dialeto (Tungus) de uma tribo da Sibéria e significa “aquele que vê no escuro”. De uma forma simplificada, o xamã era quem acedia ao mundo espiritual para trazer informação e cura para a sua comunidade.

Nos anos 60, o antropólogo norte-americano Michael Harner visitou e conviveu com várias tribos e sintetizou o que encontrou como sendo comum. Chamou-lhe Xamanismo Essencial (Core Shamanism). Os princípios básicos são os de que tudo o que existe está vivo e tem uma dimensão espiritual que não se vê, mas à qual podemos aceder. Fazêmo-lo através das viagens xamânicas às diferentes realidades não visíveis. Ao som de um tambor ou de uma maraca, entramos em estado alterado (ou xamânico) de consciência. A batida monótona do tambor desacelera as ondas cerebrais e conseguimos o contacto com o mundo espiritual.

Fascinada pelo Xamanismo, fiz a primeira formação em Portugal, em 2005, na Florescer (representante portuguesa da Foundation for Shamanic Studies, de Michael Harner). Continuei com as formações avançadas na FSS e, em 2010, apaixonada também pelos temas do feminino, segui para Dorset, em Inglaterra. Aí fiz uma formação de dois anos na Shamanka School of Women, dedicada ao Xamanismo para empoderamento e cura das mulheres. Na mesma altura, fiz uma viagem espiritual ao Peru, onde experienciei e aprendi com os xamãs locais.

Voluntariei-me, há sete anos, para traduzir as newsletters mensais de Sandra Ingerman, autora e professora de Xamanismo. E acabei a integrar um dos grupos da formação para Professores de Xamanismo com Sandra Ingerman, na Escócia.

sandra ingerman, curso de xamanismo, sofia frazoa, xamãs Curso para Professores de Xamanismo, com Sandra Ingerman (Escócia)

Sandra Ingerman foi, durante muitos anos, braço direito de Michael Harner na Foundation for the Shamanic Studies. Seguiu o seu caminho independente da fundação, tornando-se conhecida por atualizar e apresentar uma nova visão do Xamanismo. E os resultados têm sido visíveis na atualidade. Sandra  Ingerman especializou-se no Resgate de Alma, uma das práticas de cura xamânicas. Escreveu vários livros sobre xamanismo e tem ensinado milhares de pessoas em todo o mundo, ao longo dos mais de 40 anos de prática. E não se considera xamã.

As coisas mais simples são as mais profundas – não se certificam xamãs

É este xamanismo sem necessidade de rótulos que pratico e ensino no meu dia-a-dia. Um xamanismo acessível a quem quiser praticá-lo até no seu apartamento. Ao aprendermos os seus fundamentos, o Xamanismo é uma prática independente, de revelação directa. Tem efeitos profundos e transformadores nas nossas vidas. E tem-se revelado uma prática excepcional de tratamento e de cura do feminino.

Em nenhuma destas formações são dados certificados. E porquê? Com palavras diferentes, mas sempre com o mesmo argumento. “Não se certificam xamãs” e “o facto de se fazerem formações, não significa que as pessoas sejam bem sucedidas a trabalhar em xamanismo”.

Ser xamã não é uma escolha nossa nem é um diploma que vai certificá-lo. Além disso, para se tornar naquele/a que vê no escuro, há muitas vezes um processo duríssimo de iniciação, daí a expressão “curador ferido”. Um homem ou uma mulher que tiveram de se curar a si próprios, conhecer as verdadeiras dimensões da dor humana, para conseguirem ser o “osso oco”, a ligação entre o mundo espiritual (nas suas diferentes dimensões e realidades) e a comunidade.