Esta reflexão vem na sequência de várias interacções, nos últimos meses, com pessoas que falam a linguagem dita da”Nova Era”. São pessoas para quem os trânsitos astrológicos e as vidas passadas contam, as protecções espirituais são necessárias, as consultas de tarot servem de orientação (ou de regra cega), outras dimensões existem e uma ou mais terapias holísticas são fundamentais. Além da prática de yoga, tai chi ou chi kung e de uma dieta alimentar dita ‘saudável’. Nada contra. Eu própria acredito em muitas destas coisas – e cada vez mais quando as sinto e as vejo funcionar – e tento ser equilibrada na minha alimentação e disciplinada na minha prática  espiritual e de exercício.

O que me tem impressionado e, de certa forma, preocupado é a facilidade com que qualquer problema vem de uma vida passada, uma situação desagradável e penosa é karma ou eu sou isto ou aquilo porque, de acordo com a teoria X ou Y… é assim. Ao rotularmos pessoas e situações sem termos espírito crítico e sem irmos ao fundo da questão, tendo em conta o outro e toda a sua bagagem, estamos a alinhar num discurso de massas que é tudo ao contrário do que uma profunda vivência espiritual poderia proporcionar.

Imaginem-se livres de rótulos para explorarem o que uma experiência destas nos pode trazer. É pessoal, é único e pode ser maravilhoso. Cada um é diferente, está no seu momento e tem necessidades diferentes (e necessidades agora, porque entretanto tudo muda). Ao ser livre para viver e experienciar, fora das amarras dos conceitos e das teorias, entra-se num saboroso caminho do qual não apetece sair. E somos mais tolerantes. E somos mais compassivos. E somos mais espirituais. E somos mais livres e felizes.

Costumo dizer nos cursos que facilito: estas são as bases porque necessitamos de um mínimo de regras para nos oritentarmos… a partir daqui, experimentem e voem!

Da próxima vez que alguém lhe disser que estar nessa relação dolorosa é o seu karma, questione-se se não será o seu karma romper de vez com esse padrão! Da próxima vez que lhe disserem que o seu problema é de uma vida passada, pergunte-se quantas vidas já terá tido e de que forma pode resolver o problema no presente (ou de que forma trabalhar essa vida o pode ajudar agora!). E da próxima vez que lhe disserem que é ‘bipolar’ porque é Gémeos ou teimoso porque é Touro… consulte um astrólogo “à séria” para mergulhar no seu mapa e abra-se ao que a vida tem para si.

“Somos os únicos que têm o poder de mudar as nossas vidas” é uma frase de Sandra Ingerman que subscrevo e incentivo. Quando não queremos mudar ou quando não estamos preparados, ninguém nos fará abraçar a mudança. Quando estamos dispostos a mudar, há uma força interior que move montanhas e os ‘milagres’ acontecem.

O que me parece é que muitos de nós estão a tentar abraçar a mudança ao contrário: primeiro, mascaro-me do que gostaria de ser e depois sou. Mas isto, claramente, não vai dar resultado…