Há uma moda new age, muito pouco saudável, que diz que uma pessoa espiritual, zen, evoluída, é toda ela paz e amor, nunca se irrita nem mostra lados menos agradáveis. Ora, não é possível a um ser humano ser só luz, estar sempre bem e nunca se irritar com nada. É possível, isso sim, meditarmos ou trabalharmos esses nossos lados (sombras) para os integrarmos, aceitarmos, vivê-los e não lutarmos contra eles.

Aquilo a que resistes, persiste, lembras-te de ler ou de ouvir dizer? Quanto mais nego que também tenho um lado sombra, que há dias em que sinto raiva, inveja e todas as variedades de emoções, mais me arrisco a que, um dia, esses lados reprimidos expludam quando menos espero e desejava.

Se o teu conceito de ser zen é falar baixinho, muito pausadamente, vestires-te de branco, estares sempre a sorrir, nunca te irritares e atingir o Nirvana… esquece. Não estás a ser zen nem uma pessoa evoluída. Estás a reprimir uma parte muito importante desta experiência espiritual num corpo humano. As emoções surgem como energias dentro de nós que têm de ser libertadas, sob pena de ficarmos doentes.

Não defendo, com isto, que comecemos a maltratar os outros como forma de expressão da nossa raiva ou de outras emoções deste tipo. Devemos encontrar a nossa maneira de vivermos essa energia sem prejudicarmos alguém ou sem nos colocarmos em perigo. E há imensas formas de conseguirmos fazê-lo. Uma delas é observarmos que energias se movem em nós, sem resistências e com a certeza que nós não somos só isto. Somos isto e muito mais que se vai manifestando.

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