É frequente assistirmos, na área das terapias, a terapeutas que indicam caminhos, opinam sobre a vida dos seus pacientes e sugerem as atitutes a tomar ou passos a dar… e muitos deles em público, no decorrer de um workshop ou durante a pausa para  café.

O que mais me impressiona, na verdade, é ver um terapeuta fazer um ‘diagnóstico’ só por olhar para a pessoa e considerar que está com ‘má energia’ ou que tem determinado problema. E impingir-lhe o que tem de fazer se quer ficar bem.

Em primeiro lugar, mesmo que sejamos ‘videntes’ ou muito sensíveis, há momentos e circunstâncias para essas informações surgirem e podem haver vários factores que contribuem para influenciar o que sentimos ou pensamos intuir (até podem ser as nossas projecções). Por isso, muito cuidado quando nos aventuramos a fazer, em público, uma avaliação assim das pessoas.

Em segundo lugar, todos nós temos dias em que estamos com menos energia, em que as preocupações nos afectam e em que, simplesmente, não estamos nem parecemos bem. Assim vulneráveis, estamos mais susceptíveis a qualquer futurologia que nos seja feita e, claro, quanto mais nos disserem que estamos mal, pior nos vamos sentir.

Em terceiro lugar, é de uma tremenda irresponsabilidade tratar assim uma pessoa. Qualquer terapeuta que trabalhe o poder pessoal, por exemplo, sabe que, ao dizer a uma pessoa o que tem de fazer, sem lhe dar a oportunidade de pensar por ela e de se encontrar, está a dizer-lhe que ela não tem capacidade de chegar lá sozinha. Logo, está a desempoderá-la, a retirar-lhe o poder pessoal. E o que nós queremos e precisamos,  neste mundo, é de pessoas empoderadas, que descubram o seu potencial e que o vivam.

Sejamos terapeutas com tendência para estes comentários ou clientes que precisam de ouvir estas orientações, pensemos antes de agir: o que me leva a querer ter poder sobre o outro? O que me leva a permitir que outros me digam o que devo fazer?

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