A propósito de um debate que estava a ver sobre os piropos e assédio sexual a mulheres nas ruas de Nova Iorque, lembrei-me da alteração feita ao Código Penal português, em 2015, que passou a penalizar “propostas sexuais” não desejadas com penas de prisão até 3 anos.

Lembro-me de, na altura em que esta alteração foi anunciada nos meios de comunicação social, estar a jantar com um casal amigo e a minha amiga ter considerado completamente inapropriado o Governo dedicar tempo a estes “pormenores”. Para ela, havia assuntos muito mais importantes para se debaterem, resolverem e penalizarem. Isto fez-me lembrar, também, que muitas vezes somos nós, mulheres, a perpetuar os desrespeitos e os abusos contra as mulheres. Porque a sociedade não tem consciência da dimensão e do impacto que aparentes “pormenores” têm na vida de adolescentes, por exemplo.

No debate que vi, a propósito de Nova Iorque, um homem dizia que “como cidadão americano” era “livre de dizer o que quisesse”, justificando assim os piropos e assédios constantes às mulheres. Outro, supostamente bem formado e informado, comentava na CNN que as mulheres gostam de ser elogiadas, logo, um piropo de um homem qualquer na rua era um elogio e aumentava o ego feminino!

Este é um assunto que passou despercebido na sociedade portuguesa e até penso não ser por mal, mas apenas porque as pessoas não pararam para pensar nisto. Se tiverem filhas, mulheres ou mães, imaginem um estranho a tratá-las como um objecto, dizendo-lhes o que lhe apetece e fazendo-lhes as mais incríveis propostas, muitas de teor sexual. É agradável imaginarem esse cenário? Os homens entrevistados no documentário dos EUA diziam que não e até queriam partir para as agressões. Então? E fazem o mesmo a outras mulheres?

Do outro lado, da mulher que ouve esses piropos (ou “elogios”, para o ilustre comentador americano), é simplesmente sentir-se um objecto e ser invadida por um indivíduo qualquer a quem nada foi perguntado ou solicitado. As mulheres – tal como os homens – gostam de se sentir acarinhadas, mimadas e elogiadas porque são seres humanos mas, pelo amor de Deus, não é em qualquer situação nem por um indivíduo qualquer!

Pensem, mulheres, nas vezes em que situações destas vos aconteceram e reflictam sobre que marcas aparentes “pormenores” vos deixaram. O pôr-se no lugar do outro também serve nestas situações. Homens, gostavam que uma mulher que não vos agrada minimamente vos assediasse e desse piropos? Hmmm… se me disserem sim porque são homens e os homens são todos iguais e só pensam no mesmo… eu não fico convencida. Desculpem, mas não fico mesmo…

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