Em países com forte tradição religiosa, em que a noção de sacrifício, culpa e pecado é acentuada, é comum crescermos com a sensação de que temos de ser boazinhas e de que precisamos de lutar muito, fazer sacrifícios e esforçarmo-nos para sermos merecedoras. O resultado destas ideias, enraizadas culturalmente, é visível na forma como levamos a nossa vida.

Ouço, muitas vezes, que “a vida é dura”, “é preciso lutarmos muito para conseguirmos ser bem sucedidas”, “só consegue ser bem sucedido e ganhar dinheiro quem trabalhar mais de 12 horas por dia, sete dias por semana”, entre muitas outras crenças ditas e vividas sem pensarmos muito bem nelas ou sequer as pormos em causa.

A vida é, realmente, dura. Mas é-o porque não estamos preparadas para lidar com as perdas e mudanças que, inevitavelmente, vão acontecer ao longo da nossa existência. Se não morrermos nós primeiro, algumas das pessoas que amamos vão morrer e isso vai-nos fazer sofrer. Podemos ter um acidente ou uma doença que muda a nossa vida para sempre e isso não podemos controlar. A empresa onde trabalhamos pode fechar ou podem-nos mudar de departamento ou tarefas. Há uma série de acontecimentos imprevisíveis que nos vão magoar porque somos humanas e porque não estamos preparadas para eles. Nunca vamos estar.

Quanto a ser bem sucedida, antes de darmos energia ao primeiro pensamento que nos diz “sim! tens de trabalhar muito para seres bem sucedida!”, convido-a a pensar no que é, para si, ser bem sucedida. Pode, perfeitamente, ser ter tempo para fazer uma caminhada todas as manhãs, ter conseguido largar um emprego de que não gostava para trabalhar noutra coisa que a anima mais, ter um tecto pago por si, ser autónoma, entre tantas outras coisas. Defina o que é ser bem sucedida e questione-se se é um esforço assim tão grande. Ser bem sucedida é ter de alimentar uma máquina de despesas fixas de dois mil euros mensais quando só ganha 800?! Sim, realmente é preciso trabalhar imenso para ser bem sucedida.

A vida é curta, passa rápido e nem sempre temos tempo para realizar todos os nossos sonhos e materializar os nossos projectos. Quanto mais tempo passo a lamentar-me da má sorte que tenho e nada faço para mudá-la, mais me vou enfiar no lodo e ficar triste e sem motivação. E mais adio a minha vida. “Se não te traz alegria, não o faças!”, ouvi-o e li-o vezes sem conta nas minhas formações e em diversos livros. Experimente dizer este mantra várias vezes ao dia durante um período de tempo. É provável que tudo aquilo que não lhe traz alegria se torne ainda mais visível. Óptimo! Já sabe o que precisa de ir eliminando da sua vida. Resta descobrir como pode fazê-lo sem pressões e sem riscos demasiado elevados para si de momento.

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