Tem bem definido, dentro de si, que não é caixote do lixo de ninguém? Quantas vezes já deu por si a ficar sem energia, a sentir-se cansada ou a pensar “que grande seca esta” enquanto ouve outra pessoa? Quantas horas ficou com o telefone colado ao ouvido só porque não queria ser mazinha e dizer “desculpa, mas estou muito cansada, não consigo ou não tenho paciência para ouvir mais”?

Todas as pessoas precisam de desabafar, de partilhar, de se sentirem compreendidas. É verdade que sim. Mas ninguém tem a obrigação de ser caixote ou depósito para as neuras, energias negativas e cargas emocionais dos outros. Tal como me devo rodear das pessoas que me fazem bem quando é a minha vez de procurar apoio, também devo decidir se me estou a rodear do mesmo tipo de pessoas quando sou ouvinte.

Então, mas se devo procurar as pessoas certas para desabafar, não estou eu própria a deitar o meu lixo para cima de alguém? Está! E a outra pessoa não tem a obrigação de apanhar com ele e pode, a qualquer momento, dizer “já chega; hoje não; depois falamos; desculpa, mas não te consigo ajudar”. Precisamos de pôr a mão na consciência e pensar no que estamos a tentar transferir para os outros. Depois do desabafo, nós ficamos mais alividas. E a outra pessoa, fica bem?

Pensando nas situações de desabafo: estão equilibradas ou, no seu caso, é uma pessoa que só procura e não ouve os outros? Ou, pelo contrário, é uma pessoa que só ouve os outros e nunca mostra fragilidades ou pede ajuda? Como é o fluxo de dar e receber na sua vida? E, já agora, quando desabafa com os outros, fá-lo de forma negativa, tóxica, ou até consegue rir de si própria e fazer desse momento um bonito momento de partilha?

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