Há uns anos, durante uma terapia que fiz, disseram-me: “quando estiver em paz com a situação, as coisas mudam”. Confesso que, na altura, achei ridículo estarem-me a pedir paciência e pacificação com uma situação que tanta dor e angústia me causava.

A minha tendência era pôr pontos finais e fazer cortes quando sentia que o ambiente e as situações eram insuportáveis para mim. Com o tempo e com o trabalho pessoal, fui percebendo que esta terapeuta tinha razão. O que me estava a ser pedido não era que me resignasse (e era essa má interpretação que me incomodava), mas que percebesse as razões profundas do meu desconforto, que me trabalhasse e que, então, fizesse as tais mudanças. Ou talvez nem tivesse de fazer nada porque a vida, depois desta tomada de consciência, se iria revelar e as coisas iriam resolver-se sem que eu tivesse de agir radicalmente.

O desconforto é bom para nos agitar, para nos mostrar o que precisa de ser trabalhado e integrado. Uma vez feito esse trabalho, estamos mais preparadas para fazer as mudanças em consciência e com melhores resultados. Mudar só por mudar e em fuga traz-nos os mesmos resultados. Será com outras pessoas no nosso caminho e com outra forma, mas a questão de fundo e a aprendizagem principal continuam as mesmas.

O que me incomoda neste momento? Se ficar aqui, a perceber que incómodo é este, que imagens e pensamentos me surgem? Consigo ficar em paz com estas situações ou ainda não? Aceito o que sinto, dou-me o meu tempo e cuido-me o melhor possível.

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