Leu o artigo “O mito da segurança” e ficou ansiosa por perceber que não controlamos a vida e que nada é definitivo e permanente? É aflitivo, não é? Mas há formas de reduzirmos a ansiedade de não controlarmos nada. Uma delas é confiar que a vida cuida de nós e, já que não temos controlo sobre ela, temos, ao menos, a capacidade de agir e escolher com base no que nos acontece.

É mais fácil (não sendo “pêra doce”) irmo-nos treinando para a impermanência das coisas em vez de tentarmos eliminar as inseguranças, criando uma série de estruturas de segurança ilusórias. Não. O meu emprego, o meu casamento, a minha conta bancária, a minha casa, a minha profissão, não me dão garantias de segurança. Quando menos esperamos, por razões que podem ser variadas e não controláveis por nós, uma destas estruturas cai e nós ficamos sem chão. Não ficaríamos se soubéssemos aceitar a impermanência.

Assim, a verdadeira segurança está em conseguir viver com as inseguranças; em conseguir fluir com a vida e alimentar a fé e a esperança de que somos cuidados e de que vamos conseguir enfrentar qualquer tipo de desafio que a vida nos traga. Por isso, não precisamos de nos agarrar, cheios de medo, a estruturas ilusórias. Podemos lá estar e fazer parte delas, mas se um dia elas ruírem não virá mal ao mundo (ao nosso mundo).

Como se consegue este sentir? A ligação ao lado espiritual, não importa através de que prática ou filosofia, ajuda-nos nesse caminho de desapego e de melhor relação com a impermanência.

O que posso fazer para me desapegar desta ilusão de segurança? Descubro e começo hoje.

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