É daquelas pessoas que diz ter um “emprego seguro” porque está nos quadros de uma empresa? Ou é das que pensam que, por não terem um contrato de trabalho ou não estarem ‘nos quadros’, não têm segurança? Não a quero afligir nem criar ansiedade, mas proponho-lhe que reflicta sobre o que é, para si, a segurança.

O budismo fala-nos na impermanência, convida-nos a pensar no facto de nada, na vida, ser definitivo. Se olharmos em volta, se observarmos a natureza, facilmente vemos que existem ciclos, mortes, renovações constantes. Nada é igual de dia para dia, tudo muda. Assim é nas nossas vidas. Posso pensar que estou segura porque tenho um emprego fixo ou até posso pensar que, só se tivesse um emprego fixo, é que teria segurança, mas é tudo uma grande ilusão.

A necessidade de controlo faz-nos querer agarrar a estas estruturas e ideias para sentirmos que, ao menos, algo está seguro, temos algo a que nos agarrar. Mas, se pararmos para pensar, a vida pode mudar de um momento para o outro sem que eu tenha controlo nenhum. Pode não ser o meu chefe a despedir-me, mas posso ter um acidente que me incapacita e tenho de deixar de trabalhar. Posso, pelo contrário, não trabalhar para um patrão, mas ter tantas actividades como independente que me levam a ganhar mais do que se tivesse um emprego fixo. Posso muitas coisas, só não posso controlar a vida (mesmo que acredite nisso).

Convido-a a pensar na ilusão da segurança. O que me faz sentir segura? Pegando nessa resposta, penso outra vez: isto que me faz sentir segura nunca vai desaparecer? Como posso ter essa certeza?

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