As relações entre mães e filhas nem sempre são pacíficas e há mesmo fases na vida familiar em que ambas competem, inconscientemente, pela atenção e amor do pai/marido. Passadas estas fases, com a criança na idade adulta, continua um processo muito inconsciente e muito poderoso de honra familiar e de repetição de histórias.

Por muito que a relação com a nossa mãe não seja boa ou por mais longe que decidamos viver para não termos que lidar com ela, não nos podemos esquecer que estivemos na barriga dela e trazemos uma bagagem energética e emocional que não é só nossa (além das influências genéticas).  Ou seja, enquanto não curarmos esta ferida, não vamos conseguir ser livres para viver a nossa própria história.

Há acontecimentos trágicos vividos pelas famílias (perdas de filhos, abusos, bancarrota, etc.) que as filhas assumem como as suas próprias dores. Não no papel de filhas, mas no papel das mães. E se a minha mãe não se realizou pessoal e profissionalmente, porque irei eu realizar-me? Se o fizer, não estarei a honrar a história dela. Pelo contrário, se a minha mãe é o que a família considera uma mulher de sucesso, só me resta seguir as pisadas dela e fazer a família continuar a orgulhar-se… mas agora de mim. Já senti inveja da minha mãe ou que ela me invejava? Sinto, em diversas ocasiões, que tenho de protegê-la e aliviar o sofrimento dela?

Convido-a a pensar nisto. Pergunte-se que histórias carrega que não são as suas. Se conclui que não são as suas, porque continua a carregá-las? É que as histórias das nossas mães… são delas.

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